Mal toco em um ícone, um par de rostos irrompe na tela do celular, levando altos papos. Tenho tomado muitos sustos. Com laives. (permitam-me o abrasileiramento, ortodoxa leitora, ortodoxo, leitor.) Ora no Facebook, ora no Instagram. Tereza Cristina e Daniela Mercury numa laive;Foto extraída da Trip Mal toco num ícone, um par de rostos irrompe…
Autor: Eugênio Vinci de Moraes
Esponja velha
Mas de que serve, calejada leitora, calejado leitor, escrever sobre uma esponja velha quando ontem morreram mil pessoas e amanhã morrerão mais mil? Enternece-me a esponja velha. A que singra litros de gordura animal, percorre quilômetros de fibras vegetais, esfalfa-se em meio a arrobas de farinha de todo grau e, molenga, aporta na praia. A…
Não vai colar
Não me conformo é com o sarcasmo: pregar a sentença de morte no corpo da sentenciada. Ministério Público Estadual do Paraná manda suspender o corte de 231 araucárias em Cascavel. Pretendia-se abater mais de duas centenas de árvores no meio da pandemia. Agora, em maio. Meses antes, em janeiro, 4 mil "exemplares arbóreos" no Jaraguá,…
Leminski Road
Gosto de pensar que os aclives e declives do bairro tenham se infiltrado nos versos que o poeta escreveu por aqui de 1976 a 1988 Esta crônica começa pendurada na anterior. Segue pelos despenhadeiros do Pilarzinho. Se você chegou agora ao Letra Corrida, alcoogeleizada leitora, alcoolgeleizado leitor, Pilarzinho é um bairro que escapa para o…
A rua da minha aldeia
O nome esquisito da rua vem da leva de alemães que povoaram os ermos daqui. O homem anda. Com sílex, facão, peixeira, foice ou retroescavadeira, esse bípede sem plumas abre carreiros, boqueirões, veredas, trilhas, sendas, sendeiros, vielas, vias, ruas, estradas e autopistas. Ou mesmo binários, rápidas e trincheiras, variantes curitibanas. Mas o hábito de andar…
Alcoolgeleização da vida
O cronista busca assunto em meio à quarentena provocada pelo Covid-19 Nada pior para uma cronista do que não poder sair de casa. A menos que ele seja um Rubem Braga ou um Drummond, cujas vidas são uma Beijing de histórias. Pra você ter uma ideia, confinada leitora, confinado leitor, num mesmo livro* o cronista…
O moinho e a bala
Dando tiro pra tudo quanto é lado, o povo da rua vai tentando driblar a mó que há séculos os tritura sem descanso. De uns tempos pra cá o povo da rua tá bombando. Mais gente dormindo na calçada, mais homens e mulheres e crianças vendendo frutas, legumes, protetores de celular e – acima de…
EFZIL 0202!*
Meu 2020 abriu o bico. Não no dia primeiro, mas na segunda semana de janeiro. Estava no escritório quando estalidos no vidro ouvi. (Soava tudo meio como o I-Juca Pirama). Eram bicadas. Em tupi. Virei o pescoço na direção das pancadas e vi o pássaro admirável. Um tucano. Solto, livre, dando um tempo no parapeito…
Palimpsesto Digital
Códice Ephraemi Rescriptus da Biblioteca Nacional da França Ela chegou antes do que eu esperava. A falta de assunto. A leitora e o leitor assíduos do Letra Corrida sabem que não cheguei à décima crônica. Olham-me com ar severo: Já?. Têm razão. É cedo pra isso. Mas a falta de assunto é papo furado. O excesso é o busílis. Tanta coisa…
Nestor “Cicatriz” de Castro
Nestor "Cicatriz" de Castro / Google Maps Quem acompanha o Letra Corrida sabe que apanho o Bracatinga pra ir e vir do Pilarzinho ao Centro, do Centro ao Pilarzinho. No centro, a grande lata amarela ainda-com-motor-ao lado-do-motorista encosta na Travessa Nestor de Castro, via que comunica a Barão de Serro Azul a Augusto Stellfeld. De…




